Um blogue de indefinições bem definidas!

25th February 2013

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RC13KTδε

Rotting Christ – 2013 - Κατά τον δαίμονα εαυτού (Kata Ton Daimona Eaytoy)

 

 

Band

Themis Tolis       Drums (1987-present)

See also: ex-Varathron, ex-Zemial (live), ex-Black Church

Sakis Tolis           Guitars, Vocals (1987-present), Keyboards (2004-present)

See also: Thou Art Lord, ex-Desolation, ex-Black Church

 

Guest/Session

George Emmanuel         Guitars (lead)

 

Miscellaneous staff

Sakis Tolis           Producer, Mixing, Mastering

Jens Bogren       Mixing, Mastering

 

Current Live Members

Vagelis Karzis    Bass, Vocals (backing) (2012-present)

George Emmanuel         Guitars (2012-present)

pass: 2012 ;)

Preparem-se para entrar num templo monástico sagrado, com 11 rituais auditivos entregues a várias línguas: grego, latim, inglês, romeno…

Falo, obviamente, da nova obra-prima dos ROTTING CHRIST, que são talvez o nome máximo do Metal grego. Tem como nome Κατά τον δαίμονα εαυτού (Kata Ton Daimona Eaytoy), algo como “uma vez endemoniado…”, é o 10º álbum de originais do projeto dos irmãos Tolis (Themis na bateria e Sakis que além da voz, guitarra e teclas ainda se dedica a produzir o trabalho). Os Rotting Christ têm feito trabalhos verdadeiramente surpreendentes, sempre em busca de fazer algo diferente, contornando todas as possibilidades, entregando-se a novos experimentalismos, sempre com a mesma atitude. Κατά τον δαίμονα, é um álbum que tem tudo para agradar a “gregos e a troianos”, neste caso, literalmente. A força e entrega que dão às composições são manifestamente acima da normalidade, reconhecidamente perfeitos em termos sonoros, estes que são muitas vezes comparados com os Moonspell (enfim, são bandas amigas, mas daí a…), têm já um estatuto assegurado no pódio do género, onde o Black Metal se reúne com o Metal Extremo e Experimentalismo.

Os 11 temas de Κατά τον δαίμονα, são autênticos rituais de anticristianismo, de total escuridão, um ambiente profundo e negro, com solicitações clássicas, pagãs, canto gregoriano, sonoridades arabescas e de leste europeu, alguma perceção Industrial e gótica, uma mistura que no fundo cada vez define a diferença dos Rotting Christ, para todos os outros. Todos os temas estão bem aprimorados, o que torna Κατά τον δαίμονα, verdadeiramente viciante, desde a primeira audição. Na verdade, tentar encontrar falhas neste lançamento musical é uma tarefa além de extenuante, é também parva! Dentro do Metal extremo dos Rotting Christ, Κατά τον δαίμονα está perfeito, é um álbum singular e tenho a certeza que vai ser muito falado durante todo o ano de 2013. É também certo, que Κατά τον δαίμονα poderá automaticamente ficar inscrito para as futuras escolhas de “O Álbum do Ano”. Não posso salientar nenhuma composição, não só são, todas elas, definitivamente brilhantes, como o trabalho no seu conjunto é um verdadeiro tesouro. Adorei!

Sabem que mais? 9,5/10

Hail’n’Cheers

Snake

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25th February 2013

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O Dispersivo mundo dos espelhos vivos!

Disperse - 2013 - Living Mirrors

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pass: 2012 ;)
Przeworsk, Poland

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23rd February 2013

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Digging in 80’s Thrash Metal: Mandator!

1988 foi um ano memorável em termos de grandes discos no Metal. Começavam a aparecer bandas de todos os cantos do planeta. O pessoal deliciava-se com as trocas de vinil, cassetes, tudo a arranjar material uns para os outros, lembram-se? Pois, ainda não havia a Internet e tal. Mesmo assim, com Internet, acontece algo de estranho, temos as possibilidades de tal maneira que por vezes nos esquecemos de lá ir. Talvez pelo facto de a oferta ser tanta que nos perdemos, afogando numa vaga sonora por vezes sem requintes encantatórios ou prazer nenhum. Simplesmente ouvimos porque sim. Mas também há casos como os Mandator, que foram bandas que passaram ao lado de “uma brilhante carreira”, lançaram dois discos e nunca mais se ouviu falar deles. Aliás, a informação hoje disponível pela Internet é deveras vaga.

1988… o Metal estava já acente e as bandas chamadas grandes, começavam com experimentalismos, começavam a haver enormes mudanças nos line ups, começavam a misturar-se os estilos, o techno thrash mostrava-se em alta, ao ponto de bandas como Metallica ou Testament, nos States, Kreator, na Europa, por exemplo, chegarem a experimentar o género, estranhamente com sucesso, mas sem total retorno. Ou seja, nem todos os Headbangers mais familiarizados com o Thrash Metal estavam na linha digamos, mais técnica, havia ainda a grande vertente do Thrash mais virado para o Hardcore e o Crossover, mas entretanto, dentro de todo “o grupo de pessoal” havia sempre os mais exigentes. Entre esses, juntavamos-nos normalmente ao fim-de-semana na capital, a maior parte das vezes, pois a escola na altura havia companheiros de turma de todas as vilas e aldeias. Certinho e direitinho, passávamos FDS bestiais, fosse em que terra fosse, em que casa fosse, garagens, qualquer cantinho servia para fazer festas. Acreditem, eram cada um mais carregado de vinis do que o outro. Hoje é bem mais fácil… qualquer aparelho mais miserável de mp3 já dá para evitar uns 20 Kgs de peso.

1988… um colega meu de Moncarapacho, mostrou-me num desses FDS um vinil que um primo lhe trouxera da Alemanha, eram de uns holandeses, os Mandator, o álbum chamava-se “Initial Velocity”. Aqui em casa, na verdade até tinhamos um bom som, então que foi meter o vinil e levar logo com o flash. Aqui estava algo que cobria o som desde thrash hardcore/crossover, com rasgos de Techno Thrash e com uma voz deveras diferente mas em que todo o conjunto era deveras estranho. Estranhamente bom. Com letras interessantes, as músicas corriam com facilidade, mesmo com algumas variações mas sinceramente, soava mesmo bem. E curiosamente muito pouca gente gostou, talvez por bandas como Mandator terem aparecido uns tempos antes do que deveriam de ter aparecido. Tudo tinha sentido, as músicas todas elas muito bem tocadas, tudo impecável, mas com um som em termos de produção, que soava algo a Into the Pandemonium, principalmente ao como soavam as guitarras e bateria (é bom lembrar que na altura as comparações teriam de ser feitas 1. com tudo o que havia na altura, 2. com o que conhecíamos e/ou tinhamos acesso).

E é por achar que vale bem a pena o pessoal da pesada centrar-se de vez em quando em material que passou um pouco ao lado, metidos na margem, mas sinceramente, com muita pena minha. Bandas como os Mandator mereciam bem mais respeito na sua altura, no seu tempo. Será que vamos conseguir recuperar um bocado de todo o respeito que eles nos merecem? É um trabalho muito bom, aconselho vivamente.

8,5/10 assim de estalo, porque me foi mesmo um álbum estranhamente marcante! \m/

Hail’n’Cheers

Mandator - 1988 - Initial Velocity

Label: Disaster

1.Attilla
2.Black Rose
3.Faces Of Death
4.Jack Boots And Leather Caps
5.Power Of the Law
6.Evil Dead
7.Posers
8.I Will Be Your Last

Peter Meijering     Lead Vocals
Marcel Verdurmen     Guitars, Vocals
Luit de Jong “Dejo”     Guitars
Hette Bonnema     Bass
Claus van den Berg     Drums

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15th February 2013

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Protector 1989 Urm the Mad

Protector 1989 Urm the Mad

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1.Capitascism
2.Sliced, Hacked and Grinded
3.Nothing Has Changed
4.The Most Repugnant Antagonist of Life
5.Quasimodo
6.Urm the Mad
7.Decadence
8.Atrocities
9.Molotow Cocktail

Bonus extra:


9.Molotow Cocktail
10.Kain and Abel (Live)
11.Omnipresent Aggression (Live)
12.The Mercenary (Live)
13.Apocalyptic Revelations (Live)

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Fui ao baú das cassetes, cavei mais um bocado e fiz ressuscitar da infernália, um sonzaço que me lembrava em boa parte, uma outra banda que caiu que nem um meteorito, desfez-se (devido a situações já demais conhecidas) e só agora Becerra decidiu refazer o grupo: os Possessed. Falo de uma banda alemã que também passou pelo mundo do Metal pesado, gravou regularmente um determinado tempo e a partir daí só exaustivas compilações e splits: os Protector. Em 1989 foi lançado o Urm the Mad e a banda germânica mostrava uma sonoridade pouco habitual, numa altura em que o Thrash metal cedia ideias a outros experimentalismos e o Death Metal tornava-se algo repetitivo, bandas no coração da Europa procuravam em boa parte, inverter o rumo das coisas. Isso não sucedeu somente com o Techno Thrash Metal mas tabém ali onde o Thrash e o Death Metal se crusam e os Protector era verdadeiramente um excelente exemplo disso. Era pesado e muito, mas não era carne nem peixe, de tal forma que passou facilmente despercebido nos escaparates metálicos, talvez por culpa deles próprios, não sei, alguma falta de “desenvolvimento da matéria” ou algo que o valha.

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A sonoridade também em boa parte lembrava Morbid Visions ou Schizophrenia, dos Sepultura, mas Urm the Mad dava já algo mais de substancial e concreto, daí talvez pouco evolutivo. Seja como for, era mesmo um disco que me dava bastante gozo ouvir, tanto, que de um tema deles saquei a ideia do nome para a minha banda de Thrash Metal da altura: os Decadence. Urm the Mad vale talvez, pelo seu respeitoso valor histórico, pois não sendo o típico de som original, mostra muito a vontade que nessa altura, as bandas tinham em conseguir novas sonoridades e tendências. Powerfull, directo, bons intros, uma voz potente mas não se espere o extremo da técnica.

6,5/10 tá-se bem \m/

Hail’n’Cheers

Snake

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15th February 2013

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Suffocation 2013 Pinnacle of Bedlam

Suffocation 2013 Pinnacle of Bedlam 

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Suffocation:

Frank Mullen – vocals

Terrance Hobbs – guitars

Guy Marchais – guitars

Derek Boyer – bass

Dave Culross – drums

 

Guest musicians

 

Mike Smith - drums on track 10

 

Production

Joe Cincotta – engineering, production

Chris “Zeuss” Harris – mixing, mastering

 

Edição Europa: 15 de Fevereiro de 2013, Nuclear Blast

01. Cycles of Suffering (3:56)

02. Purgatorial Punishment (2:44)

03. Eminent Wrath (3:40)

04. As Grace Descends (3:04)

05. Sullen Days (4:57)

06. Pinnacle of Bedlam (3:43)

07. My Demise (4:04)

08. Inversion (3:50)

09. Rapture of Revocation (3:49)

10. Beginning of Sorrow (4:32)

O mau tempo já passou, e os Suffocation encontraram a Bonança, salvo seja, a partir de 2004, com a chegada de Derek Boyer para o baixo, a partir daí, o vozeirão de Frank Mullen, e as guitarras de Terrance Hobbs e Guy Marchais, não mais tiveram razão para se silenciarem, tendo a partir daí só assistido ao regresso de um outro amigo para a bateria, o Dave Culross que já tinha gravado com os Suffocation numa tentativa de reerguerem as cabeças em 98, no EP “Dispise the Sun”. Mas mesmo assim, quando surge a notícia de que “Vem aí um novo de Suffocation!” a tendência é voltar ao Effigy of the Forgotten, de 1991, um álbum que foi uma autêntica bomba que caiu no mundo do Metal. Uma altura em que efervescia novidades, géneros e subgéneros. O Death Metal já não era novidade para ninguém, o Grindcore o mesmo, entretanto aparecer o Brutal Death Metal e logo na sua melhor forma, o Technical, foi realmente uma espécie de cereja na ponta do creme do bolo. Há uma ideia mais ou menos generalizada de que foi nessa altura que foram criadas boa parte das sementes para o Menu que o Metal hoje pode oferecer. O Metal sufocava de ideias, as bandas ou terminavam ou remodelavam o som, e tudo fazia-o quase obrigatoriamente. Foi mesmo una maus ares que passaram, muito por culpa das editoras que mais que nunca, insistiam em comercializar o incomerciável. Então, o que já tinha sido iniciado nos anos oitenta com editores independentes (que se tornaram entretanto as grandes labels do género), surgia então e em força, tudo o que era possível de aparecer, em termos de editoras e material editado. Foi a grande explosão e os Suffocation foram figura central no movimento, assim como Cannibal Corpse.

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Pinnacle of Bedlam é o sétimo álbum de originais destes nova-iorquinos sufocantes. E desde “Souls to Deny” de 2004, os Suffocation têm sempre se conseguido suplantar a si próprios, num género tão difícil de dar material e ideias novas, eles conseguem com uma mestria louvável, muito por culpa do trio da frente se ter mantido ao longo dos tempos, não dando azo a grandes alterações no risco sonoro dos Suffocation.

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Sem intros nem outros, Pinnacle of Bedlam são duas mãos cheias de murros no corpo todo, estômago, cara, costado, o que quiserem, no fim do álbum podemos enfim respirar de novo, tirar o saco da cabeça, esquecer as dores e voltar ao início. Cycles of Suffering começa logo a rasgar tudo e todos, nem dá tempo para nos sentarmos convenientemente: a diferença entre uma sala silenciosa e quieta e uma sala a fazer slam dancing, mosh e stage diving a partir tudo, é um acorde, um berro (!), a partir daí aguente-se à bronca quem mais se aprouver. As guitarras sempre no mote certo, com riffs enervantes, que altera a circulação sanguínea de qualquer idosa, em vorazes segundos. Dave Culross faz coisas lindas no fim da song. Purgatorial Punishment é um festival de Death Metal técnico de excelência, um trio que se conhece só pelo cheiro, as coisas tornam-se relativamente fáceis. A secção rítmica, com a escola Suffocation toda, só melhoram o perfume da música. Riffs e solos muito bons mesmo! Purgatorial Punishment é mesmo uma brutal punição, das boas. As Grace Descends já tinha sido disponibilizada ao público em geral e foi uma boa escolha pois é uma boa amostra de tudo o que se encontra em Pinnacle of Bedlam, e só surpreende pela positiva: um tema fabuloso!

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Sullen Days, não só é uma excelente demostração de técnica, como também se arrisca a ser o tema favorito de muita gente, habituada muito ou pouco a Suffocation, a música rasga, a música engasga, arrasta-se, Riffs afinados, brutalidade resguardada, tem tudo! Excelente! Pinnacle of Bedlam, a faixa título do álbum, não só nos chama a atenção das guitarras, mas principalmente onde a bateria e o baixo se melhor mostram. My Demise é nova tentativa dos nova-iorquinos de nos espezinharem até mais não puderem. A deitar por fora de Riffs energéticos e nervosos que nos deixam uma lástima sôfrega e solos a condizer, que só estes tipos conseguem fazer, e já desde o Effigy (22 anos, parece que foi ontem!). Se a “Enter Sandman” dos Metallica servia para torturar prisioneiros de guerra afegãos, “My Demise” mataria ao primeiro acorde! A sessão de pancadaria ainda não terminou, muito pelo contrário: Inversion está aí para levantar a vítima do chão para nova dose de violência sonora da mais impressionante qualidade. É mais do mesmo. Rapture of Revocation, é uma imagem do Brutal Death Metal mais groovy, outra imagem que os Suffocation deixaram ao longo dos tempos. Finalmente, Beginning of Sorrow, o décimo sopapo na cara, é a típica song de fim de álbum, aquela que parece querer mandar toda a gente dar o fatal passo em frente, chegados ao Abismo. A melodia corre voraz, as guitarras parecem correr a mil, baixo e bateria na tortura final e Frank Mullen, enfim, no seu melhor.

Palavras para quê? 8,3/10

Hail’n’Cheers

Snake

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12th February 2013

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S13S

Saxon - 2013 – Sacrifice

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Saxon

·         Biff Byford - lead vocals

·         Paul Quinn - guitar

·         Doug Scarratt - guitar

·         Nibbs Carter - bass

·         Nigel Glockler - drums

 

Production

·         Produced and mixed by Andy Sneap

·         Album artwork by Paul Raymond Gregory

 

No.

Title

Length

 

1.”Procession”  1:47

2.”Sacrifice”  3:58

3.”Made in Belfast”  4:35

4.”Warriors of the Road”  3:32

5.”Guardians of the Tomb”  4:49

6.”Stand up and Fight”  4:03

7.”Walking the Steel”  4:24

8.”Night of the Wolf”  4:20

9.”Wheels of Terror”  4:22

10.”Standing in a Queue”  3:38

Eu costumo dizer: Quantos mais discos os Iron Maiden editam, menos eu gosto deles. Quantos mais discos os Saxon editam, mais eu gosto deles. Ponto final parágrafo.

Sair o novo disco dos Stratovarius na mesma altura em que sai o novo dos Saxon, é uma péssima coincidência. Uns estão esgotados desde a saída de Timo Tolkki em 2008. Aliás, podiam ter arrumado as botas logo a partir do Inifinite, logo em 2000. Saxon, por sua vez, mestres do bem “savoir faire” o Heavy Metal, tal como o Heavy Metal é, não vergam. Ao contrário da voz Timo Kotipelto (que já chateia, aborrece, enfadonha qualquer um, se torna um fardo aos ouvidos, faz chorar as pedras da calçada e é uma barulheira à noite que não se pode…), este nosso Bife preferido, falo obviamente de Biff Byford, cada tiro cada melro. Parece que tem 19 anos, pela força que dá à voz, inconfundível a milhas (até aos dias de hoje). Da banda original, além de Biff está o seu companheiro de armas, o Paul Quinn. Nigel Glockler acompanha-os na bateria já desde 1981 (tirando umas escapadelas que deu em 1988 e de 1998 a 2005). Nibbs Carter é baixista desde que Biff Byford quase tinha uma “coisinha má” só de pensar em 1988 que teria de ser ele a pegar no baixo quando Nibbs entrou para baixista assim que Paul Johnson decidiu não seguir a tour com os Saxon, após a gravação de “Destiny” em 1988. Doug Scarratt está na segunda guitarra desde 1995. Depois de “Into the Labyrinth”, de “Call to Arms”, dois álbuns que já tinham sido muito boa onda, eles acham que ainda há muito para dar, e prestam-se ao “Sacrifice”, 40 minutos de SAXON, como só os SAXON conseguem.

Voltaram ao tempo de “Crusader” com o prólogo no início do álbum, uma introdução a anunciar bomba com a faixa título Sacrifice. Headganger instintivamente gosta disto, não há nada a fazer, em termos sonoros penso que Ozzy e Saxon sejam mesmo instituições mundiais, porque sempre estiveram proibidos de fazer lixo! “Made in Belfast” mostra como se pode fazer grandes canções dentro de Heavy Metal, com excelsa mensagem, apontando graves problemas “pseudo-religiosos” reais, ainda hoje verificáveis, sequelas de um passado Protestante, dentro de um “desunificação” Católica. Problemas da Sua Majestade. Warriors of the Road é de novo os Saxon em versão Motard, a fazer músicas que os Iron Maiden gostariam de fazer, mas não fazem! Os Saxon fazem hinos de Heavy Metal com a naturalidade de quem se bufa e peida a seguir à bendita feijoada! Warriors of the Road há-de obrigar o Kirk, o James e o Lars a quererem bilhetes de primeira fila para um concerto dos Saxon. Perguntem-lhes.

Guardians of the Tomb, é mesmo um tema excelente, de um bom gosto de bradar aos céus, imaginem o Biff a cantar num álbum de Helloween. Sairia algo muito parecido. Definitivamente, muita gente se esquece dos Saxon quando falam em bandas que sustentaram o Metal. Tomem consciência disto, de todas as bandas vindas da NWOBHM os Saxon são definitivamente os mais sustentáveis e os únicos que conseguiram reproduzir o som até aos dias de hoje. Lamento dizer-vos a verdade.

Lembram-se da entrada de Rock the Nations? Aqui está outra guitarrada, bem mais rápida: Stand up and Fight, torna-se um hino ao Metal logo a seguir ao solo de entrada, não sei como conseguem, mas conseguem. O género é do mais batido de todos, as bandas já não conseguem, os Iron Maiden arrastam-se, Def Leppard dentro da sua beleza, as relações com as origens são já zero há décadas, outras bandas perderam-se algures por algures. Os Saxon, por muito que tenham tido umas fases em que críticos mais ortodoxos os rebaixavam a um Rock Fm ou algo que o valha, sinceramente, aconteceu!

Walking the Steel, é aquela “song” dedicada às guitarras que rasgam continuamente a canção onde Biff se entrega em passagens que recordam o início dos anos oitenta. Wheels of Terror mostra uns Saxon totalmente virados para o clássico heavy dos Priest, demonstram toda a força que ainda hoje têm, referência aos solos a fazer viajar aos bons velhos tempos de Saxon.

Standing in a Queue soa a Solid Balls of Rock, e tudo aquilo que os Saxon procuravam ser e estar, na altura. No geral, “Sacrifice” é um álbum à altura do nome SAXON. Não é excepcional, mas é um bom disco de Heavy Metal vindo diretamente da descarga que foi o NWOBHM.

Um grande HAIL motherfu**er prós Saxon

Menos de 7,5 em 10 é impossível!

Hail’n’Cheers

Snake

Ps -> 2012 <-

10th February 2013

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Exhorder, e o mundo aos pés de Pantera…?

EXHORDER, dois murros no estômago e um até sempre!

 

Se perguntarem a Thrashers quarentões: “Então pá, diz lá aí um nome de um álbum de Thrash dos tempos idos que tivesse assim… sido cheio de power e tal…?”. Certamente que terão uma resposta infindável, mas muito provavelmente sempre com os mesmos nomes, e começando com a interjeição de dor: “Ui,..”, Como se doesse alguma coisa responder. De seguida podem reformular a questão: “E então, pá, lembras-te do “Slaughter in the Vatican”, dos Exhorder?

Exhorder - 1990 - Slaughter in the Vatican

Kyle Thomas     Vocals
Vinnie LaBella     Guitar, Bass
Jay Ceravolo     Guitar, Bass
Chris Nail     Drums


1.     Death in Vain    05:35
2.     Homicide    03:14
3.     Desecrator    06:09
4.     Exhorder    05:13
5.     The Tragic Period    07:08
6.     Legions of Death    04:33
7.     Anal Lust    02:36
8.     Slaughter in the Vatican    07:18

Tempo Total:     41:46    

O pessoal ouve um Cowboys from Hell ou um Vulgar Display of Power, dos Pantera, e fica fascinado com o poderoso som que os norte-americanos conseguiram realizar nessa passagem 90-92, sendo dado garantido que tal som é invenção deles. Ora bem, por acaso não é! Na verdade, o som característico dos Pantera, foi criado pelos Exhorder! Com uma diferença, os Pantera já vinham com um backgraound musical de 4 álbuns de Glam Rock e Metal, e os Exhorder começaram logo a partir tudo, dois murros no estômago, um em 1990 e outro em 1992, disseram adeus e nunca mais ninguém os viu. Criaram o género, passaram-no aos Pantera, sem terem registado a patente, e os Pantera agradeceram, mesmo com os problemas vários que se sabe.

A discografia dos Exhorder não é “a coisa mais rica…” não, não é, trata-se de duas demos, dois álbuns originais e um split, a partir daí esvaneceram-se completamente. A sua imortalidade somente é conseguida através de meia dúzia de Thrashers do mundo inteiro que de vez em quando se lembrem deles e “deixa cá ouvir um Slaughter in the Vatican ou um The Law”! Tirando isso, os Exhorder basicamente nem são lembrados.

Exhorder - 1992 - The Law

Kyle Thomas     Vocals
Chris Nail     Drums
Frankie Sparcello (R.I.P. 2011)     Bass
Jay Ceravolo     Guitars, Bass
Vinnie LaBella     Guitars, Bass


1.     Soul Search Me    04:50
2.     Unforgiven    03:53
3.     I Am the Cross    04:33
4.     Unborn Again    02:49
5.     Into the Void (Black Sabbath cover)    06:07
6.     The Truth    03:26
7.     The Law    04:49
8.     Incontinence    03:45      instrumental
9.     (Cadence of) The Dirge    04:31

Tempo Total:     38:43    

Quando Slaughter in the Vatican saiu, só não passou despercebido para o mais Underground dos Headbangers, famintos por coisas novas e tendências diferentes, pesadas ou groovies, com maior ou menor experimentalismo. Entre 1988 e 1992, géneros e subgéneros fervilhavam aos nossos ouvidos. Foram quatro anos em que toda a gente quis ser diferente e fazer coisas novas, na verdade, se repararmos nas discografias de todas as bandas Thrash sobreviventes até hoje ou vá até há uma década atrás (até mesmo a grande parte das bandas de Metal no geral), a “época” de 88-92, foi uma época de grandes mudanças. Sem falar do surgimento do movimento grunge. E os Exhorder não estavam pura e simplesmente para grandes filmes, fizeram o que se poderá dizer, dois álbuns revolucionários e evaporaram-se. Simplesmente não conseguiram viver da música. Se ouvimos Exhorder com os ouvidos de hoje, poderemos entender perfeitamente o porquê: estavam simplesmente demasiado avançados para a época deles. E assim a Arqueologia Thrash Metal fica cada vez mais rica!

Exhorder é uma banda fundamental para se entender o som dos Pantera e outras bandas que quiseram copiar Pantera e assim sucessivamente. Pantera??? Ou Exhorder?

Vocês vão gostar… é garantido! \m/

Hail’n’Cheers

Snake

3rd February 2013

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Antes de Venom / Depois de Venom

B.V./A.V. (Before Venom / After Venom).


O respeitoso rol de bandas de Metal ás quais devemos uma valente Vénia, poderia ser imenso. Há porém, algures no meio umas das outras, nomes que definitivamente colocaram o Rock pesado nos escaparates da Eternidade. Tal como aconteceu com os The Doors (numa primeira fase, com Jim), os Led Zeppelin tiveram uma década de Sonho, com alguns contratempos pelo meio, que terminou com a morte de John Bonham. Em dez anos, os Zep (para os amigos) tiveram o mundo a seus pés. Se calhar ainda o têm. Os Led Zeppelin foram um marco no mundo da música. Os Black Sabbath ainda hoje confundem tudo e todos pela qualidade sonora que conseguiram desde sempre e riffs imortais. Os Motörhead e os Judas Priest, duas bandas inglesas que vêm já dos anos setenta, também têm o seu nome no Hall of Fame, e suas pisadas tiveram continuamente imensos seguidores. Kiss e Alice Cooper, ainda hoje andam aí para as curvas, trouxeram-nos o Show Biz, a partir daqui o Rock pesado tinha o direito à luz e cor, nos espectáculos, que a partir daqui, nunca mais foi o mesmo. Mas…
… Mas, se observarmos o Metal como é hoje, com todos os subgéneros que originou, deveríamos de reconhecer que houve um “Click” histórico. Click este que chegou logo no início dos anos oitenta.



(Anos Oitenta a lembrar:
Comummente lembrados como dos piores anos na Histótia da Música. Claro que esta é a frase genérica dos totós que viviam agarrados à rádio e TV (vulgo Mainstream) daí, como o som era feito de totós para totós, foi normalíssimo que tenham chegado a essa conclusão. Esta frase é inversamente proporcional ao mundo do Heavy Metal. Nos anos oitenta nasceu tudo o que hoje os Headbangers ouvem e praticam.)

Esse Click histórico tem um nome: VENOM.


Apareceram vindos da Inglaterra, cheios de indumentárias infernais e um som à Motörhead verdadeiramente bem mais pesado e variado. Cronos, Mantas e Abbadon, foram um trio que apaixonaram todo o Underground do Metal. Mesmo tendo aparecido em pleno New Wave Of British Heavy Metal (movimento britânico que originou nomes como Iron Maiden, Saxon, Diamond Head, Samson, Def Leppard, etc. O som dos Venom simplesmente não se enquadrava no som do dito movimento. “Welcome to Hell” <—- o que é isto? De onde apareceram estes? Que som mais barulhento (thrashed). Definitivamente, os Venom não estavam virados para uma multiplicidade de técnica e melodias, mas sim para todo um “Power” capaz de retirar toda a energia de quem ia assistir seus concertos. Nas dúvidas existencialistas da crítica, o trio inglês resolveu o género logo no segundo álbum. Não se esforcem mais, senhores, o “Black Metal” acabara de nascer! Foi este mesmíssimo álbum que retirou a etiqueta “NWOBHM” à banda.
Os Venom rapidamente angariavam múltiplos seguidores fiéis quase religiosamente, ao contrário das várias outras bandas na altura em que os seguidores de umas eram os mesmos dos seguidores das outras. Os Venom não e foi famosa a frase de Cronos “Os Venom ou se ama ou se odeia!” e era verdade, a banda não ficava indiferente a ninguém. Ou se gostava e passava-se a seguir “a palavra” e pregar “a luz” ou então odiava-se sendo a partir daqui uma banda totalmente a desdenhar.

Então, apareceu “At War with Satan” em 1984. AWWS foi algo memorável, o primeiro lado do LP era tão somente uma só música, de vinte minutos, a faixa que dava título ao álbum. O que os Venom queriam dizer com isto? Barulho sim, mas atenção, somos músicos! E provaram-no! At War With Satan tem tudo, mas tudo aquilo que se idealiza no Metal. Desde uma capa fabulosa, a um som que ainda hoje se devora com uma facilidade atroz. O álbum apareceu após uma longa Tourné dos Venom, na maior parte das vezes, como cabeça de cartaz. Metallica, Anthrax, Exciter, Manowar, entre muitas outras, abriram para Venom. A tour originou “Leave Me in Hell”. Com dois álbuns de originais e já um disco ao vivo, o terceiro álbum seria o tudo ou nada. Após milhares de fãs seguirem-nos religiosamente, teria de ser feito algo memorável. At War With Satan, é esse mesmo disco! A partir daí, é história mais do que conhecida, veio o disco “Possessed”, os primeiros problemas, mais um disco ao vivo e a primeira grande rotura aquando “Calm Before the Storm”, cujo título indicava o fim de problemas, mas tal não veio a confirmar-se.


Esta época dos Venom até ao quarto disco, foram tempos memoráveis. Outros como eu, que viveram mais ou menos essa altura, poderão lembrar-se que as primeiras revistas de Metal que vinham do estrangeiro, tinham sempre algo de Venom, o trio fazia parte, pela corajosa atitude que tiveram. O Inferno tinha chegado ao mundo da música em definitivo. E os Venom eram a prova disso.

Por isso, e só por isso mesmo, deveria de ser instituído o AV (antes de Venom) e DV (Depois de Venom). E quand«to a Venom já se sabe, ou se Ama ou se Odeia, ninguém fica indiferente… até hoje!

Hail’n’Cheers

Snake

25th January 2013

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A012ASO

Alphataurus – AttosecondO (2012)

Pietro Pellegrini - keys/synth
Guido Wassermann - guitars/vocals
Andrea Guizzetti - piano/keys/vocals
Fabio Rigamonti - electric bass/vocals
Pacho Rossi - drums/percussions
Claudio Falcone - lead vocals/hand percussions

Tracklist:


01. Progressiva Mente (8:29)
02. Gocce (9:27)
03. Riposando e… (6:32)
04. Claudette (13:40)
05. Valige Di Terra (10:37)
___
48:56 min

Conheci-os há muito pouco tempo, mesmo assim já consegui encontrar uma imensa afinidade e empatia com esta banda italiana. A Itália é reconhecidamente um país com uma grande cultura musical, que vem desde os tempos dos compositores clássicos. Logo não é surpresa que de Itália nos chegue com alguma facilidade, material de excelente qualidade. No Progressivo, onde muitas vezes todos querem ser melhores, diferentes, únicos, técnicos, etc, estes italianos sem grandes pretenções, conseguem fazer com alguma facilidade, o belo sem ter que ficar agarrado ao muito complexo, com uma estonteante liberdade, que contagia qualquer um. Estes italianos têm uma história curiosa. Lançaram o primeiro álbum de originais em 1973. AttosecondO é, tal como o nome indica, o… segundo. Isso mesmo, dois álbuns com um espaço de 40 (!!!) anos entre si. Entretanto, saiu em 1992 uma compilação de Demo Tapes e músicas originais não editadas em 1973 e ainda um álbum ao vivo em 2010, lançado em 2012. Ao ouvirmos AttosecondO tal ideia chega a parecer: CRIME! Mas o que raio estes senhores andaram a fazer este tempo todo?

Na verdade, são só dois os membros sobreviventes: Pietro Pellegrini nos teclados e Guido Wassermann na guitarra e vozes. Enquanto se ouve o álbum, leva-nos mesmo a crer que são eles a alma deste fenómeno denominado ALPHATAURUS. E acreditem, pouco há a dizer do álbum, cinco músicas entre os 6 e os 14 minutos, todas elas verdadeiramente progressivas, de uma beleza impressionante, demonstram uma capacidade de composição fora do vulgar. As músicas, cantadas em italiano, fazem até quem não gosta de italiano, cantá-las como se se tivesse habituado à língua italiana desde que nasceu. Conheço-os à muito poucos dias e acho que já se tornaram uma das minhas bandas favoritas no género. Isto é tiro e queda, ouve-se e gosta-se, está tudo dito. É pavorosamente perfeito!

10/10 ponto final!

Hail’n’Cheers

Snake

Quem gosta de Rock Progressivo vai apetecer-lhe voar ao ouvir isto!

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24th January 2013

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SW13TRTRTS(AOS)

Steven Wilson 2013 The Raven that Refused to Sing (And Other Stories)

All music composed by Steven Wilson.

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1. “Luminol” 12:10
2. “Drive Home” 7:37
3. “The Holy Drinker” 10:13
4. “The Pin Drop” 5:03
5. “The Watchmaker” 11:43
6. “The Raven That Refused to Sing” 7:57

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Musicians

Steven Wilson — vocals, guitar, bass guitar, piano, mellotron
Guthrie Govan — lead guitar
Nick Beggs — bass guitar, Chapman Stick
Marco Minnemann — drums
Adam Holzman — keyboards
Theo Travis — flute, saxophone

Alan Parsons — engineering

Kscope, 25 de Fevereiro, 2013

Já perdi o número à quantidade de material de excelcia qualidade que este Senhor inglês, deita cá para fora, para o mundo da música. Sempre em busca de se superar a si próprio, o homem continua a mimar os fans que tem conseguido angariar pelo mundo inteiro, ao longo dos tempos como frontman dos Porcupine Tree, em dueto como Blackfield, ainda No-Man, &c, ou a produzir obras primas como Damnation e Deliverance, dos Opeth, entre outros. De Steven Wilson espera-se sempre o melhor possível. Sabe-se de antemão que com ele a qualidade é cega, tal é a alma que incorpora o todo das suas composições. A quantidade e qualidade discográfica é imensa como a sua criatividade, imaginação e ciência. Ele entrega tudo, dá tudo e tudo flui. “The Raven that Refused to Sing (And Other Stories)" é o terceiro álbum de originais em nome próprio e conta com a colaboração de um bom punhado de amigos (leia-se músicos) de sua inteira confiança e é mais uma grande demosntração de bom gosto. O álbum, a sair dia 25 de Fevereiro (a não esquecer) é apontado como tendo seis brilhantes temas, três dos quais ultrapassam os 10 minutos: Luminol, The Holy Drinker e The Watchmaker, temas estes que alimentarão as expectativas do mais difícil dos fãs do bom Rock Progressivo. Drive home é um tema introspectivo e lúcido, bastante relaxante e muito bem trabalhado. The Pin Drop, com pouco mais de cinco minutos (a small one) soa a futuro single, sendo um tema ao que nos quer fazer parecer, mais dedicado às guitarras. The Raven That Refused To Sing, a faixa título do álbum assim como a que termina as hostes, é mais um fantástico exemplo do quão profundo Steven Wilson consegue ir e excelente exemplo do mundo do Progressivo já na segunda década do Século XXI.

Não é um disco somente para fãs, vai bem mais além disso.

8 em 10

Hail’n’Cheers

Snake

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